Dentre os mecanismos de defesa do organismo, a dor é sem dúvida o mais importante. É graças à dor que sabemos quando quebramos uma perna e somos obrigados a pô-la em repouso para não piorar a fratura; é graças à dor que afastamos imediatamente o braço de uma superfície quente para que o calor não destrua nossa pele. Cólicas nos dão sinal de que há algum órgão doente. Enfim, graças à dor , mantemos a integridade do nosso corpo.
Entretanto, a dor crônica - a que vai além do tempo necessário para a recuperação - deixa de ser um alerta e passa a ser uma ameaça. Segundo a Orgnização Mundial de Saúde estima-se que, no mundo, uma em cada cinco pessoas sofra com dor crônica.
Os avanços da ciência em busca de um melhor entendimento dos mecanismos das sensações dolorosas, através de estudos em pessoas que não sentem dor, vem oferecendo aos pacientes com dores crônicas a possibilidade de levarem uma vida sem dor. Concluiu-se que as pessoas que não sentem dor são portadores de uma alteração genética que atinge os canais de sódio ou canais de cálcio presentes nos nervos periféricos, que são uma espécie de ”fechaduras” existentes na superfície das células (receptores) cuja função é permitir a entrada do mineral dentro das estruturas, impedindo a transmissão dos estímulos dolorosos ou, quando permitem, o fazem de maneira descompassada, gerando sofrimento.
Segundo a revista Isto É, “…estudos recentes demonstram que algumas pessoas não produzem as substâncias moderadoras da dor – analgésicos naturais fabricados pelo organismo.”
O aspecto psicológico da pessoa – a maneira de encarar a dor – também faz a diferença. Quanto menos importância se dá à dor, mais rápido o desconforto passa. “Isso confirma que o modelo de dor é biopsicossocial e que apenas termos biológicos ou médicos não a explicam” disse Lívia Puljak, vice-reitora de pesquisa da universidade crota à revista Isto É.
ALGUMAS TERAPIAS RECENTES (Armas contra a dor crônica):
* Bloqueio dos Canais de Cálcio. Desvantagem: age também sobre outros receptores não relacionados à dor;
* Terapia Genética: Identificação de falhas em determinados genes;
*Estimulação Eletromagnética Transcraniana: Um dispositivo colocado na parte frontal da cabeça dispara ondas eletromagnéticas para áreas onde a dor é processada, reduzindo-a;
Tecidos Antidor: O tecido é revestido com um mineral capaz de irradiar os raios infravermelhos emitidos pelo corpo, fazendo-os retornar à pele, aliviando a dor;
Estimulação Elétrica da Medula Espinhal: Eletrodos são implantados próximos à espinha ou em nervos periféricos para modular a transmissão da dor, inibindo os estímulos dolorosos;
Medicina Intervencionista da Dor: Bloqueia os nervos por meio de técnicas minimamente invasivas, através de agulhas guiadas por aparelho de raio X.
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