A maioria das fisgadas que abalam a sua coluna (e o seu humor) tem cura. Mas, para que o tratamento seja um sucesso, é preciso descobrir a razão por trás do martírio.

ESTIMA-SE QUE 80% DA POPULAÇÃO MUNDIAL AINDA TERÁ DOR NAS COSTAS EM ALGUM MOMENTO DA VIDA.
A maioria das pessoas só percebe que precisa  proteger  mais  sua  coluna  (ou que ela existe)  quando  as  dores  começam  a incomodar e a limitar a realização de tarefas… E é justamente esse descaso com a região que sustenta o nosso corpo que prejudica o tratamento e o alívio desse incômodo. Felizmente, na maior parte dos casos (80% deles), a dor nas costas não dura mais do que três meses e desaparece, com ou sem medicação, segundo o médico Jamil Natour,  professor  de Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  Neste  caso,  “o paciente  obrigatoriamente  tem  que   mudar   o   estilo   de vida. Parar de fumar, emagrecer, alongar,  cuidar  da  postura  e  ficar calmo”,  receita José Goldenberg,  reumatologista do Hospital  Albert Einstein   e   autor do livro “Coluna, Ponto e Vírgula”. Mesmo assim, não devemos subestimar o problema, porque as causas da dor  são múltiplas  e  vão  desde simples vícios de postura até a presença de doenças graves.
Cabe  ao   médico  avaliar  os sinais de alerta. Se existirem,  é  necessária  uma  maior   investigação  da  causa  e  do  melhor  tipo   de intervenção.”  Os  sinais  de   perigo  são  febre,  perda  de  peso,  histórico  de  trauma,  quando  a  dor piora com repouso e quando o primeiro episódio ocorre em crianças ou após os 60 anos.  Conheça   –  dentre  os  principais –  os  seis  vilões  que  mais abalam a sua estrutura:

1- TABAGISMO:
Pouco    se   fala  a  respeito,   mas  o  cigarro,   além   de   todos  os  prejuízos  já   conhecidos  à  saúde,  também  pode  afetar   o   bom funcionamento da coluna vertebral. Segundo os médicos, a dor nas costas costuma tornar-se crônica mais freqüentemente entre os fumantes.  A  teoria   é   a   de  que  os   discos  situados  entre  as  vértebras  e  que funcionam como amortecedores para os impactos são irrigados por vasos capilares, que, por sua vez, são afetados pelo tabaco. Ou seja, o fumo atrapalha a circulação do sangue nessa região.

2- DEFORMIDADES NA COLUNA:
Escoliose,   hiperlordose e hipercifose podem ser um fator de risco ou a origem da dor, mas só se tornam causa do problema quando associadas   a outros aspectos.  Um   exemplo   é   quando   a   musculatura   flácida   deixa  de  oferecer   sustentação para a coluna.  A gravidade varia conforme o ângulo de curvatura.
A   escoliose   é   caracterizada  como  um  desvio   lateral   da   coluna.   Pode   ocorrer   já   na   infância,  com   maior   freqüência   em meninas e, nesse caso, exige tratamento rápido para evitar deformidade  óssea  e  artrose  no  futuro.    Escolioses  de até 10 graus de angulação ocorrem em até 3% da população.  O  Instituto  Nacional  de  Tráumato-Ortopedia (Into),   órg ão  ligado  ao  Ministério da Saúde, alerta: crianças que carregam mochilas muito pesadas correm o risco de desenvolver postura incorreta e apresentar desvios na coluna vertebral.  O peso das mochilas não deve ultrapassar o limite de 10% do peso da criança.

Já  a  hiperlordose  é  a  lordose  (curvatura normal da coluna)  exagerada.  É  caracterizada   pelo bumbum arrebitado e mais comum em mulheres, tanto que o salto alto é um agravante.

O  INCÔMODO  NA   INFÂNCIA    É   INCOMUM.   PODE    SIGNIFICAR   PROBLEMAS SÉRIOS,  COMO TUMOR OU MALFORMAÇÃO CONGÊNITA.

ALONGAR-SE TRÊS VEZES POR SEMANA DIMINUI EM 15% AS CHANCES DE LOMBALGIA.

3- O PESO DA GRAVIDEZ:
Até  cerca  de  50%  das  mulheres  grávidas  sofrem  de  dores na coluna.  Porém, os médicos perceberam que a dor é pior no primeiro  trimestre.  Atualmente,  muitos  especialistas  acreditam  que  a  causadora  da  dor é a mudança hormonal. Um hormônio relaxaria e diminuiria o tônus da musculatura, especialmente da pélvis. “Esse problema é muito comum. Acontece muito. Mas não é normal. Sentir dor não é normal”, diz Arnaldo Libman, autor do livro “Cure sua Coluna”.

Engordar  demais  força   as  estruturas osteoarticulares  e  também responde por dor. Neste caso, a postura também tem sua cota  de  participação,  especialmente  com  o  hábito   da  grávida  de  jogar  a  barriga  para  a  frente  e  o  quadril  para trás.   Libman recomenda à futura mamãe procurar um médico, especialmente porque o tratamento de grávidas  é  mais  complexo,  uma  vez  que elas  devem  evitar   medicamentos  fortes.   Para  resolver  o  problema,   exercícios   adequados,   hidroterapia  e  até  uma  cinta  de sustentação podem ser indicadas.

4- OBESIDADE
Para afetar a coluna, não é necessário entrar na categoria de obeso. Cada 10 quilos a mais do que o recomendado aumenta em 20% o risco de dor nas costas. Ou seja, a cada 2,5 quilos somados, cresce em 5% a chance da pessoa vir a sofrer de dor nas costas.

5- SEDENTARISMO, fuja dele.

O   sedentarismo também tem sua parcela de responsabilidade. O exercício físico alonga e fortalece  os músculos, lubrifica as articulações e nutre os discos.  Por outro lado,  é  preciso  certa  cautela.  Alguns  exercícios   podem  aumentar as dores ou piorar  o estado de quem já sofre com o problema. Portanto, é necessário escolher a atividade adequada e começar devagar. Boas opções são caminhadas, natação, bicicleta (atenção à postura!), alongamentos e fortalecimento da musculatura. Os abdominais, além de deixar a barriga tanquinho, ajudam a coluna.

A idade também pesa sobre a coluna.  Aos  20 anos, uma pessoa tem os discos compostos por 70% de água. Com o passar do tempo, além de sofrerem desgaste, perdem água.

6-COLCHÕES INADEQUADOS
Os  colchões  macios  demais  ou  excessivamente  duros  (madeira com espuma) comprometem a coluna seriamente pois não dão o estiramento adequado, com conforto.

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